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Carnaval de Ubá 2026: Entre o Sucesso de Público e a Crise da Tradição!
O Carnaval de Ubá em 2026 está sendo marcado por um profundo contraste entre os shows e a indignação de agremiações tradicionais, que denunciam uma organização excludente e o descumprimento de acordos prévios. Sob um modelo de centralização técnica na Avenida Sebastião Valoz David, a folia vive um momento de forte divisão entre a eficiência da segurança e a asfixia da cultura popular.
Por Administrador
Publicado em 16/02/2026 12:23
Ubá em pauta
Imagem criada por IA

Carnaval de Ubá 2026 consolida modelo centralizado, amplia controle de segurança e evidencia crise com escolas de samba e blocos tradicionais

O Carnaval de Ubá em 2026 será lembrado como o ano da mudança estrutural no formato da festa. A implantação do circuito oficial na Avenida Sebastião Valoz David, defendida pela Prefeitura e pelas forças de segurança como estratégia para prevenção da violência e monitoramento por tecnologia, redefiniu a ocupação do espaço público e provocou efeitos diretos sobre escolas de samba e blocos tradicionais.

O novo modelo garantiu controle de acesso, forte presença policial, mas também produziu cancelamentos de agremiações históricas, conflitos operacionais e uma sequência de falhas logísticas que marcaram principalmente o pré-carnaval das escolas de samba.


Planejamento técnico e centralização da festa

As decisões foram construídas nas reuniões realizadas entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, com participação de representantes da Prefeitura, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e dirigentes das agremiações.

O eixo central foi a concentração total das atividades na avenida para permitir:

  • monitoramento integral pelo sistema Olho Vivo

  • controle de fluxo de foliões

  • resposta rápida a ocorrências

  • aplicação de inteligência policial

Para os blocos fora do circuito oficial, passaram a ser exigidos termos de responsabilidade civil e estrutura própria de segurança, o que levou ao cancelamento de grupos tradicionais como Piranhas, Alvorada e Quem Fez Fez.


O Decreto nº 7.670 e o esvaziamento do carnaval de bairro

A publicação do decreto que proibiu som mecânico em vias públicas fora das áreas autorizadas inviabilizou o formato descentralizado da festa e foi alvo de críticas por restringir manifestações espontâneas.

Na prática, o carnaval de rua nos bairros deixou de existir em 2026.


Escolas de samba enfrentam atraso extremo e desorganização operacional

O pré-carnaval, realizado nos dias 7 e 8 de fevereiro, expôs o problema mais grave de toda a programação: o atraso sucessivo dos desfiles.

A escola Feliz Lembrança teve sua entrada postergada por mais de duas horas, provocando um efeito em cadeia em toda a ordem de apresentação.

Como consequência direta:

  • a Império da Vila Casal entrou na avenida por volta de 2h30 da madrugada

  • grande parte do público já havia deixado o local

  • componentes desfilaram para arquibancadas praticamente vazias

O atraso comprometeu:

  • o desempenho das agremiações

  • a avaliação do público

  • a visibilidade das escolas

  • o esforço financeiro e humano dos integrantes

O problema foi amplamente criticado por dirigentes e por lideranças do carnaval, que classificaram o episódio como falta de planejamento e desrespeito às comunidades envolvidas.

Em nota, a AESBU reconheceu falhas técnicas e operacionais e afirmou que fará revisão completa do modelo para 2027.


Subvenção insuficiente agravou as dificuldades

A divisão da subvenção total de R$ 160 mil entre sete escolas resultou em cerca de R$ 9.500 líquidos por agremiação após os custos fixos.

O valor foi considerado insuficiente para:

  • estruturas metálicas

  • alegorias

  • fantasias

O cenário financeiro limitou a capacidade estética e operacional dos desfiles.


O caso Treme Terra e o conflito no circuito oficial

O momento de maior tensão ocorreu no domingo de Carnaval com o bloco Treme Terra, impedido de utilizar trio elétrico e sonorização.

Autorizado a seguir apenas em silêncio, o bloco não conseguiu realizar a homenagem prevista à advogada Ana Teresa, cadeirante, devido à sobreposição do som do palco oficial.

Vídeos registram críticas à ausência de representantes do poder público para mediação do impasse.

A direção do bloco afirma que houve descumprimento do que havia sido pactuado nas reuniões preparatórias.


Segurança reforçada e ações de fiscalização

A Operação Blindagem Carnaval 2026 manteve:

  • policiamento ostensivo

Durante as fiscalizações, houve prisão de foragido da Justiça pela Polícia Ambiental.

A Polícia Civil também realizou campanhas contra a importunação sexual.


Economia aquecida e nova configuração da festa

O circuito oficial concentrou:

  • praça de alimentação

  • estrutura de shows

  • comércio ambulante

Com movimentação ao longo dos dias de programação.


Cidade dividida entre segurança e tradição

A percepção pública revela dois sentimentos predominantes:

Aprovação

  • sensação de segurança

  • ambiente familiar

  • organização do espaço

Crítica

  • perda do carnaval de bairro

  • excesso de controle

  • enfraquecimento das manifestações culturais tradicionais


Repercussão política e institucional

O Partido dos Trabalhadores de Ubá criticou o modelo, defendendo políticas permanentes de inclusão cultural nas comunidades.

A Prefeitura mantém o posicionamento de que o formato prioriza a preservação da vida e a convivência familiar.


Um carnaval de transição

O Carnaval 2026 marca a passagem de um modelo popular descentralizado para um formato técnico, monitorado e concentrado.

Ao mesmo tempo em que ampliou o controle e reduziu riscos, o novo sistema expôs:

  • fragilidade financeira das escolas de samba

  • falhas graves de logística

  • ruptura com blocos tradicionais

O debate para os próximos anos passa, inevitavelmente, pela reconstrução do diálogo entre poder público e as comunidades que historicamente sustentam o carnaval ubaense.


Fontes:
Angela Zamboni – Ubá: Notícias do Angu com Caroço
AESBU – Associação e Liga das Escolas de Samba e Blocos de Ubá
Prefeitura Municipal de Ubá

Edição: Geane Nicácio – Multisom Ubaense

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